Por dentro do restaurante Lagundri

No post de ontem, você conheceu um pouco da história e trajetória superinteressante do chef de cozinha, Marcelo Amaral. Hoje, você continua a acompanhar este bate-papo e fica sabendo um pouco mais sobre a história do restaurante Lagundri e como tudo começou.

Restaurante Lagundri, a realização de um sonho

O nome do restaurante, Lagundri, foi inspirado na paradisíaca Lagundri Bay, uma baía em forma de ferradura no extremo sul da ilha de Nias, no norte de Sumatra, na Indonésia. Mas quem pensa que foi apenas uma viagem de surfe e belas paisagens que motivaram Marcelo a escolher este nome para o seu restaurante vai surpreender-se – mais uma vez!

Ele conta que o roteiro da viagem, até o destino final, Lagundri Bay, seguiu uma rota nada turística, dificilmente feita pela galera do surfe, com a saída de Bangkok, passando pela Tailândia, Malásia e Indonésia. Ele explica que foi durante esta viagem que fez uma imersão na cultura asiática, o que proporcionou um encontro com ele mesmo e com toda a sua essência. “Então Lagundri acabou sendo uma realização pessoal minha, foi um sonho realizado e é tão difícil a gente perceber quando a gente realizou um sonho. Então eu resolvi dar o nome para esse restaurante com um sonho que eu realizei. É para ficar bem claro: este sonho já foi realizado.”

Um cenário mágico e surpreendente

Quem passa pela Rua Saldanha Marinho, no Centro de Curitiba, nem imagina que por trás das paredes amarelas, de uma casa centenária, onde já foi um sebo, encontra-se um mundo completamente diferente. Marcelo conta que quando começou a procurar um imóvel para abrir o restaurante, pegou uma única chave na imobiliária e que quando entrou no casarão, foi paixão instantânea. Para muita gente, a escolha do local era uma loucura, já que a região não era o hoje badalado Soho. Mas, para Marcelo, a frase do chef Antony Bourdain sempre fez todo o sentido: Os melhores lugares estão por de trás das portas menos convidativas”.

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Fachada do Restaurante Lagundri, em Curitiba.

Esqueça tudo o que você já viu em decoração de restaurantes asiáticos

Do pé-direito alto do Restaurante Lagundri pendem lanternas japonesas e sombrinhas chinesas. Nas paredes, cores fortes, máscaras, pôsteres de filmes que foram comprados nas ruas de Bangkok e grafites supercoloridos.

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A cereja do bolo fica por conta do charmoso lounge, que fica no andar superior do restaurante, decorado com lanternas chinesas vermelhas, mesinhas baixas e almofadas confortáveis para se sentar no chão. Assim é a decoração do restaurante Lagundri.

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Lounge no andar superior do Lagundri

Toda a inspiração para a ambientação do restaurante Lagundri foram as metrópoles asiáticas por onde Marcelo passou e viu muçulmanos, budistas, hindus e católicos conviverem, cada um com os seus hábitos e costumes, em meio a um caos que ele adorou. Ele explica que se os elementos da decoração do Lagundri fossem isolados, seria um verdadeiro caos, mas que juntos fazem todo o sentido. “[…] eu quis fugir do tailandês que as pessoas conhecem que é aquela coisa de trajes típicos tailandeses, um monte de Buda. Nada contra, mas a minha pegada é de um outro ponto de vista de Bangkok, que é uma coisa mais urbana.”

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Um dos pioneiros no Brasil a trabalhar o aspecto “atmosfera” em restaurantes, o Lagundri aposta neste conceito que reflete toda uma ambientação, seja na decoração, no som, na iluminação, nos sabores e no atendimento. Para Marcelo, a experiência no restaurante tem que ser completa, os clientes devem curtir o visual, a luz, a música, a comida e os aromas.

Lagundri, um lugar que não existe

O mote do Lagundri é exatamente este: “Um lugar que não existe”. Para Marcelo, ele não existe por diversas razões, dentre elas o cenário que as pessoas encontram ao entrar no restaurante, em pleno Centro de Curitiba, e a maneira de encarar o negócio “restaurante” de uma forma mais cool ao invés de puramente comercial. O chef revela que assume muito mais o que acredita ser bacana para o restaurante do que necessariamente comercial, como quando decidiu tirar mesas para colocar mais árvores decorativas. Outro fator que Marcelo considera imprescindível para tornar o Lagundri “um lugar que não existe” é o seu relacionamento com a sua equipe. Ele faz questão que a sua equipe seja autêntica, encontre prazer no dia a dia e interaja com os clientes. “Eu sempre fiz questão de não fazer grandes programações visuais fora do restaurante, nunca me preocupei muito com isso. Tudo o que eu pude até hoje, eu investi aqui dentro, na equipe e no ambiente. E outra razão que não existe mesmo, porque hoje em dia você vê um relacionamento muito comercial entre as pessoas e aqui não tem muito disso.”

Para quem gosta de novas aventuras gastronômicas

E para quem acha que a clientela do Lagundri resume-se somente aos curitibanos, Marcelo conta que muitos clientes do restaurante vêm de fora, de outros estados, e que chegam a ligar do aeroporto para fazer reserva. Além, é claro, de quase todas as noites o restaurante recebe gente do mundo todo, como executivos que vêm a negócios em Curitiba e aproveitam para conhecer e se aventurar em novas experiências gastronômicas.

E para quem conhece e frequenta o Lagundri, maravilhoso, delicioso e aconchegante são adjetivos comuns citados nas avaliações de sites específicos, utilizados por clientes para avaliar restaurantes. As avaliações no Tripadvisor, por exemplo, são convidativas para quem quer conhecer um ambiente charmoso, com ótimo atendimento e comida saborosa:

“Ambiente super aconchegante, o atendimento personalizado com funcionários extremamente educados e atenciosos, comida deliciosa, playlist excelente… Definitivamente um lugar pra se voltar!” Guta Lacerda, Curitiba.

“Ir a Curitiba e não passar no Lagundri, pra mim é como ir ao Rio e não ver o Cristo. Simplesmente um canto reservado ao prazer de quem gosta de uma ótima culinária, acompanhado de um lugar aconchegante e com ótimo atendimento” . J.J

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Salada tailandesa com molho by Marcelo Amaral

Cardápio do Lagundri

Por se tratar de um restaurante com assinatura asiática, é no mínimo curioso ver na descrição dos pratos do cardápio a utilização de ingredientes brasileiríssimos, como a rapadura, o jiló e a paçoca. O chef Marcelo Amaral explica que durante as suas pesquisas, descobriu inúmeras similaridades entres os ingredientes brasileiros e tailandeses e que a substituição de muitos deles confere aos pratos o mesmo sabor.

Ao mesmo tempo, essa substituição permite trabalhar com muito mais liberdade, sem depender de vários fatores para conseguir um único ingrediente para preparar um prato. “Ao invés de eu ir atrás de um produto que vem lá de 40 mil quilômetros de distância, dependendo de uma oscilação do dólar, sempre refém de uma importação, eu comecei a buscar. Então a rapadura foi para substituir o açúcar de palmeira, o jiló na verdade é típico de lá, foi simplesmente o fato de eu reencontrar o jiló aqui. Mas assim, leite de coco, cominho, gengibre, alho, isso tudo tem na culinária brasileira.”

Marcelo revela que no restaurante são feitos vários preparos artesanais, como curry, as pastas e a masala. Ele diz que fica muito tranquilo em substituir alguns ingredientes e que a diversão na profissão fica por conta de dar esse balanço e estar perto da raiz tailandesa.

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Prato campeão do Lagundri

O prato campeão do restaurante é o Pad Thai Lagundri, que é o macarrão tailandês frito feito com frutos do mar, mas pode ser vegetariano, de frango ou camarão. A inspiração de Marcelo para criar o prato com frutos do mar foi um tanto inusitada. Ele conta que antes de abrir o restaurante, passou em frente a um outdoor, de um restaurante italiano, que tinha uma foto de macarrão com frutos do mar.“[…] eu pensei: preciso de um desses no meu restaurante. E eu transformei o Pad Thai em macarrão tailandês com frutos do mar e deu super certo, é o prato que mais vende e as pessoas curtem mesmo.”

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Pad Thai Lagundri

Já quando o assunto é o prato predileto de Marcelo, no Lagundri, novamente ele confirma ser um chef de fases, tanto para o que gosta de cozinhar, quanto para o que gosta de comer. “É um por mês. No momento é porco empanado com hortelã. Já teve o arrozinho que eu brinco que é o arrozinho de pedreiro, que é um arroz tailandês frito com ovo e coentro, bem simples. Tem gente que vem pedir o menu de coisas que eu como, mas normalmente são coisas bem simples, que são puro sabor, divertidas, sem muitas amarras.”

E aí? Ficou com água na boca de vontade de experimentar o famoso Pad Thai Lagundri? Então para quem está em Curitiba, não perde tempo e vai conhecer o “lugar que não existe”! E para quem não mora aqui, já pode incluir no seu roteiro de viagens uma visita à capital paranaense e ao Restaurante Lagundri. O chef já deu a dica, liga do aeroporto mesmo para garantir a reserva! 😉

Restaurante Lagundri
R. Saldanha Marinho, 1061
Centro, Curitiba | PR
(41) 3232-7758
www.lagundri.com.br

Imagens: Pinterest, Flickr, Facebook, Casa Sul.

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